sábado, 16 de outubro de 2010

Política e Meio Ambiente

Apesar do primeiro turno das eleições já terem passado, trazemos algumas propostas e posições dos principais candidatos à presidência sobre meio ambiente e a transposição do Rio São Francisco, e também dos candidatos do governo de Minas.
Também trazemos a perspectiva de Marina Silva candidata pelo PV - Partido Verde – conhecida como a candidata ambientalista e mais comprometida com as causas ambientais e sociais, que apesar de não ter conseguido ir para o segundo turno, desempenha um importante papel nesse momento, Dona de aproximadamente 20 milhões de Votos Marina Silva decide nesse domingo, dia 17, quem devera apoiar para o segundo turno, ou ainda há a possibilidade de que se mantenha neutra.

Justificativa
O atual contexto político é de suma importância, pois a pressão exercida por uma candidata, de expressiva popularidade e comprometida com o meio ambiente chama atenção do eleitorado e dos outros presidenciáveis para alta relevância dessa causa. Há décadas que temos o desprazer de prestigiar discursos vazios dos presidenciáveis acerca de todas as áreas de plano de governo, no entanto no que concerne á meio ambiente a inconsistência das propostas é ainda mais gritante. São nos apresentadas proposições que exaltam termos meramente publicitários como Sustentabilidade, sem que os candidatos  tenham de fato  comprometimento com a causa ambientalista em sua campanha, nem alinhamento ideológico com  esta. Suas alianças partidárias traem suas promessas de campanhas. A fim de trazer  um breve informático da opinião dos candidatos sobre  as questões que direta ou indiretamente interferem no  meio ambiente, sem que no entanto se manifeste qualquer posição particular em beneficio  de qualquer candidato, mantendo-se assim a neutralidade exigida, sem grandes esforços pois todos se mostram bastante despreparados.
Cabe ressaltar a dificuldade em achar informações sobre a posição dos candidatos e mesmo do partido. Todos os sites visitados tratam de forma extremamente superficial do assunto e normalmente abarcando uma serie de temas sem se adentrarem nos pormenores de proposta de gestão ambiental ou de recursos hídricos. Por esse motivo notar-se-á a probreva de informações do presente artigo.

Dilma
Durante o tempo de confecção desse artigo, dois dias, notou-se uma maior ênfase do PT e sua candidata quanto ao meio ambiente, possivelmente em função da proximidade da divulgação do apoio de Marina Silva. Na primeira visitação ao site do PT não foi encontrado nenhuma noticia ou tópico especifico que tratasse do tema, porém hoje encontramos uma lista com “os 13 compromissos de Dilma com o desenvolvimento sustentável”.
Segue Abaixo os 13 compromissos de Dilma com o Desenvolvimento Sustentavel, o link com o arquivo completo, extraído do site do PT, esta em fontes.
1. Aprofundar o crescimento econômico com distribuição de renda e sustentabilidade ambiental;
2. Combinar o crescimento econômico com baixo índice de emissão per capita de CO2;
3. Avançar na integração da sustentabilidade ambiental às políticas públicas;
4. Aprofundar a política de proteção, conservação e uso sustentável do patrimônio natural;
5. Promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia;
6. Ampliar e fortalecer a participação da sociedade nas políticas ambientais;
7. Incentivar a utilização de instrumentos econômicos para a sustentabilidade ambiental;
8. Fortalecer a dimensão da sustentabilidade ambiental nas grandes obras do PAC, da Copa do Mundo e das Olimpíadas;
9. Ampliar a matriz energética limpa e promover a eficiência energética nos transportes;
10. Implementar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e trabalhar pela erradicação dos lixões do país;
11. Ampliar e fortalecer a Educação Ambiental;
12. Consolidar o Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA) e fortalecer a capacidade do licenciamento ambiental;
13. Consolidar a atuação brasileira na política ambiental global.
A sistematização das propostas pela candidata do PT apresenta certo avanço, pois se começa a desenvolver uma idéia global da problemática, políticas ambientais que não caminhem em consonância com o crescimento econômico, político e social não se sustentam, acabam por se tornar demagogas e publicitárias. Entretanto apenas a divulgação de proposições sem a subseqüente exposição do planejamento, não define o candidato como mais bem preparado. Deve-se expor na pratica as medidas que seriam tomadas, pois é isto que se espera de um presidente, o seu diferencial esta na forma com que lida com os mesmos problemas que os outros, planejamento, administração e gerencia.
Em acordo com as propostas de Dilma o Presidente Lula, principal apoiador da campanha de Dilma, em abril comentou no Blog do Planalto sobre a transposição do São Francisco, denotando grande entusiasmo na obra, mostranhdo que essa consiste em importante ferramenta para o desenvolvimento do pais.
“Para falar apenas da transposição, que você citou, sabe quando surgiu a proposta? Em 1847, época do Império. De lá para cá, vários governos elaboraram estudos, projetos, mas nada saiu do papel. As obras só tiveram início em nosso governo. São dois canais: o Eixo Norte e o Eixo Leste. O primeiro levará água por 400 km aos sertões de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte e tem 24% das obras já realizadas. O Eixo Leste, com 220 km, vai levar água às regiões agrestes de Pernambuco e Paraíba. Obras realizadas: 41%; conclusão: 2010. Como diz um provérbio chinês, “uma caminhada de mil léguas começa com o primeiro passo”. E nós temos o orgulho de, após mais de um século e meio de protelações, ter dado o primeiro passo e muitos outros no rumo da concretização deste sonho.”
“São 9 mil trabalhadores atuando em várias frentes no sentido de concretizar este sonho dos nordestinos, que nasceu no longínquo ano de 1847, e só agora começa a se tornar realidade. Nada menos que 12 milhões de habitantes de cidades pequenas, médias e grandes da região semiárida do Nordeste serão beneficiados. Trata-se de um empreendimento que não tem volta.”

Serra
Não foi encontrado no site do PSDB qualquer mensão a respeito do rio São Francisco, e para acessar o link de propostas de meio ambiente no site, é necessário ser cadastrado no site, ou seja, apenas aliados do PSDB. No site de campanha de José Serra encontramos apenas o trecho abaixo referente ao meio ambiente, sem qualquer articulação com outras áreas como economia e política. Novamente as propostas tomam som de promessa, não apresentando qualquer embasamento em procedimentos e ações pragmáticas.
Implantar uma Politica Nacional de Mudanças Climáticas, com metas compulsórias de redução de emissão de carbono e incentivos à Economia de Baixo Carbono
Investir na área de pesquisa em biodiversidade
Fomentar a criação de um Fundo Internacional de Proteção da Amazônia
Garantir a preservação de áreas de manancial, encostas, matas ciliares
Investir na RECUPERAÇÃO de áreas degradadas - florestas, cerrado, mangues, matas ciliares etc.
Exigir o fornecimento de diesel limpo pela Petrobrás
Investir em eficiência energética e novas tecnologias, ampliando a geração de energia de fontes renováveis e não poluentes.

No debate realizado no mês de setembro em Recife, Plínio fala sobre o apoio de Serra à transposição do Rio São Francisco, argumentando à quem serve esse projeto:
Ao questionar Plínio sobre qual deve ser o foco para o Nordeste, Serra foi criticado pelo candidato do PSOL, que apontou a "oligarquia que sufoca a região". "Você e Dilma têm aliados desse grupo", disse Plínio. Serra afirmou que "a coisa não é bem por esse caminho" e disse ver a educação como uma das questões fundamentais para a região. "Devemos investir na educação profissional", disse o tucano. (FONTE: G1.globo.com)

Marina Silva
A candidata que ao não ir para o segundo turno causou grande impacto sobre os outros concorrestes pertence ao partido que se mostra mais engajado ambientalmente, seu discurso ecológico se sobrepõe, perante aos demais assuntos. Como definido pelo próprio partido o PV serve como instrumento político da ecologia. No site há uma lista dos princípios do partico, que se misturam à proposta de governo. Destaca-se o item 2:
Considerando a crescente impotência dos estados nacionais, mesmo os das nações mais poderosas, de controlar os fluxos da especulação financeira internacional e o aprofundamento das desigualdades na relação norte-sul; o aumento da exclusão, do desemprego e das injustiças sociais; as ameaças ambientais em escala planetária, como o "efeito estufa", a deterioração da camada de ozônio e a proliferação nuclear; os verdes deve tomar a iniciativa de propor formas supranacionais de controle democrático sobre as movimentações especulativas de capitais, sobre o fluxo de produtos e serviços que não contemplem em seus países de origem a sustentabilidade econômica, social e ambiental, e as agressões ao meio ambiente de efeito global.
É necessário destacar que o PV é o único dos partidos cujo os sites analisados apresentam não apenas propostas, mas também uma política ideológica atrelada a forma a um modelo de gestão, ou ao menos um esboço do que o seria. Articulando em 12 tópicos sobre temas desde política externa a economia verde, como se dariam os princípios de gestão segundo sua ideologia ambiental.
No mesmo debate realizado em Recifem Plínio questiona Marina sobre seu posicionamento da candidata em cercos momentos de campanha contra a transposição do São Francisco.
O primeiro embate, que opôs Plínio e Marina, veio logo no primeiro bloco, em relação à transposição do rio São Francisco. O candidato do PSOL acusou Marina de ter "abandonado" o bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio, que promoveu greve de fome contra a obra. A candidata do PV disse que Plínio estava "completamente desinformado" e defendeu sua atuação à frente do Ministério do Meio Ambiente durante o licenciamento ambiental do empreendimento.
"Tive atitude de profundo respeito pelo d. Cappio.Trabalhamos muito para que a licença [ambiental] fosse dada com qualidade técnica e respeito ético", disse Marina. "Você deixou dom Cappio na mão na hora e depois não pediu demissão [do ministério]", afirmou Plínio. (FONTE: g1.globo.com)

Debate entre Costa e Anastasia.
No primeiro bloco do debate da TV Globo Minas, em Belo Horizonte, os candidatos ao governo de Minas Gerais discutiram temas como educação e meio ambiente. Os dois concorrentes mais bem colocados nas pesquisas chegaram a se confrontar. Em sua primeira pergunta, dirigida a Hélio Costa (PMDB), o candidato Antonio Anastasia (PSDB) questionou o concorrente sobre investimentos em meio ambiente.
O candidato do PMDB desviou o foco da pergunta para um dos temas mais polêmicos sobre a questão ambiental em Minas: a transposição do Rio São Francisco.
Em sua fala, Costa insinuou que o governo Anastasia e o antecessor Aécio Neves (PSDB) apresentaram empecilhos para a construção de barragens. "O governo do Estado disse que a trasnposição levaria 60% das águas para fins comerciais. Consultei a Agência Nacional de Águas (ANA) e disseram que nunca houve isso".
Segundo Costa, a preservacao do Rio São Francisco é o maior problema ambiental de Minas e para fazer a transposição seriam feitas obras ambientais. Anastasia retrucou e garantiu que os dados sobre o comprometimento trazido com as obras foram repsssados por um relatório de impacto ambiental, que aludiriam aos tais 60% de comprometimento

Fonte:

http://www.revistavoto.com.br/site/noticias_detalhe.php?id=1911&t=PV_de_Marina_decide_no_domingo_apoio_no_segundo_turno
http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4706460-EI15328,00-Rio+Sao+Francisco+e+tema+de+discussao+entre+Costa+e+Anastasia.html
http://blog.planalto.gov.br/usuarios-de-drogas-transposicao-do-rio-sao-francisco-e-servidores-publicos-federais/
http://www.pt.org.br/portalpt/
http://blog.planalto.gov.br/transposicao-do-rio-sao-francisco-reducao-de-impostos-para-alimentos-e-cpmf/
http://blogdapontadaserra.blogspot.com/2010/04/060410-transposicao-do-rio-sao.html
http://www.pt.org.br/portalpt/dados/bancoimg/101014145316Folder-A4-Meio-ambiente.pdf
http://www.serra45.com.br/proposta/meio-ambiente
http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/09/marina-plinio-e-serra-participam-de-debate-sobre-regiao-nordeste.html
http://www.hojenoticias.com.br/busca/transposicao-rio-sao-francisco/
http://www.pv.org.br/interna_programa.shtml

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Verdadeira historia do Rio São Francisco


O São Francisco como qualquer rio desperta na comunidade ribeirinha os mais profundos sentimentos afetivos, exercendo enorme influencia sobre o imaginário das pessoas, criando as mais diversas lendas e mitos, firmando por conseqüência a identidade cultural desse povo. Assim justifico a postagem de uma pequena seqüência de mitos e lendas que permeiam nas comunidades que vivem a margem do Velho Chico.

A Lenda da Origem do Rio

Vivia os índios, nos chapadões, em várias tribos felizes. Entre esses estava uma linda mulher, a doce Iati. Era noiva de um forte guerreiro, quando houve uma guerra nas terras do norte e todos os guerreiros se foram para a luta. Eles eram tantos que os seus passos afundaram a terra formando um grande sulco. Entre eles se foi o noivo da formosa índia que tomada de saudades pelo seu amado chorou copiosamente. Suas lágrimas foram tantas que escorreram pelo chapadão despencando do alto da serra formando uma linda cascata, e caindo no sulco criado pelos passos dos Guerreiros, escorreram para o norte e lá muito longe se derramou no oceano, e assim se formou o rio São Francisco.


O Rio Dorme

Há uma lenda em todo o Médio São Francisco sobre o sono do rio. A meia noite as águas adormecem, o rio se aquieta por alguns minutos, e todos os seres de suas águas adormecem. Nesses poucos momentos não se pode despertá-los, pois acordados as águas se enfurecem virando as canoas e inundando as terras. Não se deve, portanto desrespeitar o leve sono das águas. Quando o rio dorme as almas dos afogados se dirigem para as estrelas, a mãe d'água sai e se senta nas pedras no meio do rio e enxuga os longos cabelos, os peixes param no fundo do rio, as cobras perdem o veneno. Se alguém despertar as águas ficam tulmutuadas e bóiam todos os cadáveres dos afogados e não há quem possa navegar.




O Nego D’água ou Caboclo D’água

Há quem afirme de viva voz que já viu aquela figurinha atarracada de cabeça grande e olho no meio da testa. O "nego d'água" que habita nos locais dos rochedos do meio do rio, como também escava suas covas na base do barranco da beira do rio, o que provoca tombamento do mesmo. Para afugentá-lo desses locais que terminava alargando o rio, os beiradeiros jogam nesse ponto cacos de vidro, que amedrontam o caboclo d'água. Apesar de viver também fora d'água ele nunca se afasta muito da beira do rio. Quando não gosta de um pescador, afugenta os peixes, tange-os para longe da rede de pesca. Como a caipora, adora fumo, costume que faz com que os pescadores atirem fumo a água para cair nas graças do negrinho que gosta desse agrado, costuma aparecer nas casas de farinha das ilhas ou dos barrancos e noite de farinhada, comumente depois que os trabalhadores se acomodam para dormir, passeando entre os que estão adormecidos, para roubar-lhes fumo ou beiju.
É em personagem encantada transformando-se em outro animal ou objeto. Um pescador contou que pescava a noite quando percebeu um vulto de um animal morto boiando na correnteza. Remou apressadamente em direção ao animal, percebendo ao se aproximar que se tratava de um cavalo, e aí tentou encostar a canoa para verificar a marca ou ferro, para avisar ao dono, quando o animal afundou e logo em seguida, a canoa foi sacudida, percebendo o pescador que um nego d'água agarrado à borda da embarcação tentava virá-la.
Nesse instante lembrou-se o pescador que trazia um pequeno pedaço de fumo, que imediatamente atirou para o neguinho que dando cambalhotas, desapareceu no fundo das águas. Alguns dizem que existe apenas um nego d'água em todo o rio, outros dizem que são muitos. O fato é que o nego d'água, povoa a imaginação de todo menino beiradeiro, o que sossega os corações das mães, pois a noite os pequenos só se aproximavam da água acompanhados por adultos.
O fato de ter ficado por longo período isolado desenvolveu, no são franciscano, suas crendices e medos dentro do seu próprio universo. Nada trazido de outras regiões. A maioria dos duendes, bons ou maus, são ligados a água, da qual fazem seu habitat.

Extraido de: http://parlim.blogspot.com/

O Minhocão

O escritor barranqueiro Wilson Lima, assim se refere ao minhocão “O minhocão” ou surubim rei, é o rei do rio, mandando e desmandando em tudo na vontade dos peixes e na vontade das águas. Na opinião de muitos "o minhocão" é um surubim de mais de trezentos anos de idade que perdeu as barbatanas de tão velho, ficou roliço sem escamas e que enfurecido por isso vive fazendo mal, virando embarcações, comendo os outros peixes. Dizem que do minhocão nascem os porcos d'água, monstros das profundezas, muito feios, que têm a frente de porco e o resto do corpo de peixe e que nadam muito, e sob as ordens do minhocão cavam os barrancos fazendo-os tombar e danificam assim as roças de vazante plantadas pelos beiradeiros.

A Pesadeira

Extraido de: http://historianovest.blogspot.com/
Uma mulher com um gorro vermelho na cabeça que se senta no peito daqueles que dormem de papo pro ar. Por isso é que há sempre a recomendação a todos que são estranhos ao vale quando ali chegam são advertidos para não dormir nesta posição, pois a pesadeira virá sentar-se no peito desse desprevenido, mas há uma vantagem, aquele que conseguir tirar ou roubar sua roupa da pesadeira, a torna sua escrava e conseguirá tudo que desejar.
Contam que certo beiradeiro deitou-se para a sesta, quando sentiu o peso da pesadeira sentada em seu peito. Ainda entre dormindo e acordado o sabido estendeu o braço e tirou a touca da pesadeira que satisfez todos os seus desejos; era muito pobre, se tornou o homem mais rico da região.



Fontes:

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Usina nuclear no São Francisco



Após a instalação de usinas Hidroelétricas no Rio São Francisco, a nova proposta do governo Federal, engendrada pelo PTista Marcelo Déda e pelo  deputado federal PSDBista Alberto Franco, que travam uma bizarra aliança, é a defesa da instalação de uma usina de Energia Elétrica de Matriz Nuclear. O artigo é escrito por César Gama, jornalista, que escreveu o artigo com base em sua monografia. Apesar de bastante compassivo o artigo apresenta uma serie de boas contra-argumentações sobre a construção da usina.

 O artigo foi publicado no site “Respeito ao Velho Chico”, que hoje trazemos também como dica de visita, pois traz diversos artigos a respeito da transposição do Rio São Francisco e uma serie de reportagens de cunho cultural sobre o Velho Chico.


(*) César Gama é jornalista, psicanalista, professor, formando em Biologia, bacharelando em Filosofia e membro voluntário do Greenpeace. Este texto foi elaborado com dados de sua monografia de conclusão do curso de Licenciatura, intitulada “O estorvo da Energia Nuclear: ou de como a suposta ‘energia limpa’ é tão cara ao ambiente”.

domingo, 10 de outubro de 2010

Obras do PAC: Projeto São Francisco

Link com vídeo publicitário sobre o andamento das Obras do PAC relacionado a Recursos Hídricos, caso do Rio São Francisco

http://www.youtube.com/watch?v=TWQ_IA5fKso&feature=related

Entrevista com o Governador João Alves Filho

Hoje trazemos o link de uma entrevista com o político João Alves Filho, governador do estado do Sergipe, exibida no “Programa do Jô”, na qual é discutido o problema da transposição do rio São Francisco, sob a ótica de um político e engenheiro, que se dedicou a pesquisa do problema da seca no semi-árido João Alvez também trata das falhas técnicas do projeto bem como de irregularidades da licitação e inviabilidade econômica da empreitada. Trata também da questão da diminuição da força do rio, que antigamente chegava a ter uma força de penetração de 16 km mar adentro, e hoje devido o uso excessivo de suas águas, desmatamento da mata ciliar, desrespeito ao período de recarga e mineração irregular e etc, faz com que hoje peixes típicos de água salgada sejam encontrados 152 km da foz do rio, indicio que a vazão do rio diminuiu significantemente. O depoimento conta com uma analise técnica comparativa em relação à transposição do Rio Amarelo na China.

Governador João Alves Filho em entrevista ao Programa do Jô
Links da entrevista no Programa do Jô


Link da entrevista de João Alves Filho ao jornal Folha de SP

sábado, 9 de outubro de 2010

Descrição do quadro Físico do Rio São Francisco

Uma das principais funções desse Blog é divulgar e conscientizar a informação acerca de um objeto de estudo relacionado à temática Gestão de Recursos Hídricos, nosso alvo é o Rio São Francisco, ou Opará  como é conhecido regionalmente. Entretanto entendemos que toda a informação vinculada deve estar estritamente ligada aos sabares científicos, pois se tratando de um trabalho acadêmico é fundamental o conhecimento técnico e teórico acerca de nosso objeto de estudo. Assim para efeito de uma análise sólida trataremos a seguir de uma serie de informações sobre as características físicas do Opará como Geologia, Geomorfologia, Solos e Climatologia, para que ao lermos e discutirmos as reportagens que aqui traremos, possamos não apenas entender  com propriedade importantes questões, relacionadas  a transposição do rio, instalações de hidroelétricas, transporte hidroviário, gestão do curso hídrico,  e etc, mas como principalmente desenvolver o senso critico próprio.
O Rio São Francisco estende-se por 2,830 Km desde sua nascente, a 1200 metros de altitude em são Roque de Minas na Serra da Canastra em Minas Gerais, onde 37% da área da bacia esta instalada,  atravessa a Bahia, fazendo divida ao norte com Pernambuco e traçando a divisa natural com Sergipe e Alagoas. Desaguando no Oceano Atlântico, a área da bacia corresponde a 641 000 km². são ao todo 5 estados banhados pelo rio, que recebe 90 afluentes pela margem direita e 78 afluentes pela margem esquerda, sendo que do total de 168 afluentes, 99 delas são perenes. Os principais afluentes são o Rio Paraopeba, Rio Abaeté, Rio das Velhas, Rio Jequitaí, Rio Paracatu, Rio Urucuia, Rio Verde Grande, Rio Carinhanha, Rio Corrente e Rio Grande. Com uma declividade media de 8,8 cm/Km e media de Vazão na Foz de 2,943 m³/s
Os trechos navegáveis se encontram principalmente entre o médio e baixo curso. Os maiores trechos navegáveis com cerca de 1371 km de extensão estende-se entre Pirapora  (MH) e Juazeiro(BA)/ Petrolina (PE), onde são transportado mercadorias como cimentis, sal açúcar, soja, manufaturas, madeira e principalmente gpsita, além do transporte de turistas em embarcações normalmente equipadas com caldeiras e lenhas.

Geologia
A formação Urucuia ou Itapecuru, contemporânea ao Cretáceo Superios, abrange a maior parte da área, compreendendo a chapada que constitui o divisor de águas entre as Bacias do Tocantins, São Francisco e Parnaíba. È constituída quase exclusivamente por arenito de cores diversas, predominantemente o cinza, o róseo e o vermelho; é fina, de cimento argiloso ou silicoso, por vezes com estratificação cruzada, indicando alternância de períodos climativos influindo diferencialmente sobre a deposição de arenito.. Ocorrem nos arenitos concreções silicosas esparsas, assim como intercalações irregulares de conglomerados. Intercalam-se leitos de siltitos e/ou folhetos cinza-esverdeados e avermelhados. O contato inferior é discordante e parece ser feito com Grupo Bambuí (Cretáceo).
No Cambriano Superior no Grupo Bambuí notam-se duas fácies distintas: uma preferencial de calcário e outra clástico. O calcário é pouco metamórfico, de coloração normalmente cinza-escura e preta, de granulação fina, algumas vezes média, estratificação em bancos. O fácies clástico consiste de arenitos de granulação variada por vezes conglomeráticos, com intercalações de siltitos, argilitos e ardósias. Estas rochas por vezes estão recobertas por material retrabalhado de natureza variada.
Formação arenítica aflorada após diminuição do nível do Rio São Francisco


Geomorfologia

Com base nas variedades de ordem endógena estruturais e diversidades de formas topográficas, fruto de atividades exógenas, principalmente climáticas, foram distintas as seguintes unidades geomorfológicas na área de estudo.
Terraços Aluviais instalados às margens do Rio São Francisco e alguns de seus afluentes, cujo material, principalmente arenoso da formação Urucuia, é de origem colúvio-aluvial e de deposição recente (Holoceno). São terrenos planos onde podem ocorrer microrrelevos possuindo 350 a 400 m de variação altimétrica.
Cânion esculpido pela ação modeladora do rio São Francisco 
Planalto Ocidental ocupa praticamente a metade de toda a área, onde se destacan-ses três aspectos:
Plataforma aplainada - representa o grande núcleo elevado (Espigão Mestre) com relevo predominantemente plano, compreendendo altitudes de 700 a 900 m.
Baixadas - constituem áreas rebaixadas com altitudes entre 450 e 700 m, em forma de calhas suaves que recortam o planalto do Espigão Mestre.
Encostas de Planaltos - abrange as superfícies irregulares, por vezes bastante erodidas, que fazem parte do contorno do Planalto nos seus limites orientais, ou penetrando um pouco pelos seus vales. O relevo nessas áreas é bastante variável, ocorrendo desde escarpas muito íngrimes até áreas suavemente onduladas, onduladas e forte onduladas. Suas altitudes oscilam entre 500 e 700 m.
A Planície Orientalconsiste em uma grande superfície aplainada, compreendida entre a frente oriental do Planalto Ocidental e o Rio São Francisco. O relevo nessas áreas é predominantemente plano com algumas partes suaves onduladas. Compreende desde o sopé do Planalto até o conjunto das serras do Boqueirão, Muquém, Ponta do Morro e o Rio São Francisco. Com variação altimétrica de 400 aos 600 m.
Planícies e Pediplanos Setentrionais considerada a área mais estreita que se estende para o norte, abrangendo o que se pode chamar de uma planície irregular intermontana com setores pediplanados, situando-se entre as serras que limitam a Planície Oriental e os limites da área de estudo.
Serras e Incelbergs constituem os maciços residuais elevados, com encostas ora mais, ora menos íngremes, apresentando relevo que varia de predominantemente ondulado a montanhoso. No entanto, podem ser encontradas superfícies aplainadas, no topo de alguma serra. Suas altitudes variam de 500 a 800 m.
  
Ao Holoceno são referidas as formações sedimentares mais recentes, destacando-se os depósitos fluviais (aluviões) e coluviais. São constituídas por sedimentos não consolidados cuja natureza e granulometria é muito variada. Ocorrem em faixa estreita e descontínua ao longo do Rio São Francisco e de alguns de seus afluentes. Os sedimentos que constituem os aluviões do Rio São Francisco são de natureza, granulometria e composição heterogêneas, sendo encontrados sedimentos argilosos, siltosos, argilo-siltosos e arenosos. Nas áreas que constituem as veredas dos afluentes do São Francisco, os sedimentos são predominantemente arenoso-argilosos com grande contribuição de deposições orgânicas.
No Quaternário as Formação Vazantes são constituídas de areias com cascalhos e intercalações argilosas. A deposição em grandes áreas, graças ao abaixamento resultante de movimentos regionais, produziram uma grande planície de inundação. O Rio São Francisco atualmente disseca esses sedimentos que se encontram elevados em relação às suas margens. Este manto de sedimento, responsável em boa parte pela origem de solos de fertilidade média a alta na área estudada, normalmente recobre parte das áreas de ocorrência de outros materiais do Grupo Bambuí e do Pré-Cabriano Indiviso, entre outros. A espessura deste recobrimento é muito variada, porém não ultrapassando 10 metros.

Clima
Esta região possui duas estações climáticas bem definidas: a estação seca e fria que vai de maio a setembro, e a estação chuvosa e quente que vai de outubro a abril. Sua posição geográfica assegura temperaturas elevadas durante boa parte do ano, devido à forte radiação solar. Porém, nos níveis altimétricos mais elevados as temperaturas são mais amenas. Desta forma, as temperaturas médias máximas e mínimas variam entre 26 e 20ºC. A pluviosidade varia no sentido leste-oeste de 800 mm a 1.600 mm por ano, concentrando-se nos meses de novembro a março. A umidade relativa média do ar é de 70%, sendo a máxima de 80% em dezembro e a mínima de 50% em agosto.




Solos
No Planalto Ocidental predominam Latossolos Amarelos e Vermelho-Amarelos de textura média e Neossolos Quartzarênicos (Areias Quartzosas). Nos vales dos rios e veredas, são encontrados principalmente Gleissolos e Organossolos. Esses solos apresentam baixa fertilidade natural, tendo o relevo plano como principal vantagem ao uso agrícola. Entretanto a preseça das Areias Quartzosas é responsável pela intensa atividade de mineração de areia do Rio São Francisco, gerando um grave quadro de assoreamento.
Solo Arenoso na margem do rio

Nas planícies são encontrados Latossolos, Argissolos, Neossolos Quartzarênicos e, com menos freqüência, Luvissolos e Planossolos. A grande variação de solos nessa região se deve a variação do material geológico original. Nessa região são encontrados solos com alta e com baixa fertilidade natural. Nas serras e incelbergs predominam os Neossolos Litólicos (Solos Litólicos), que são solos rasos e muito susceptíveis à erosão, devido ao alto índice de declividade.










Fonte:

http://www.bndes.cnpm.embrapa.br/textos/relevo.htm
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/geomorfologia/geomorfologia.php


terça-feira, 5 de outubro de 2010

A quem serve a transposição do São Francisco?

A problemática da transposição do Rio São Francisco não é uma polemica atual, há décadas o projeto nomeado pelo Governo brasileiro por "Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional" e é apresentado por muitos como única solução viável para o problema da seca no nordeste.
O projeto orçado em quatro bilhões e meio de reais, pretende sob a execução do Ministério da Integração Nacional construir dois canais que totalizam 700km de extensão. Entretanto existe um forte embate de opiniões sobre não apenas a viabilidade de execução do projeto como também do acesso da comunidade pós termino da transposição. Um principais argumentos pende quanto ao uso da água: os críticos do projeto alegam que a água será retirada de regiões onde a demanda por água para uso humano e dessedentação animal é maior que a demanda na região de destino e que a finalidade última da transposição é disponibilizar água para latifúndios agropecuários.

Em entrevista ao Jornal Folha de São Paulo, em fevereiro de 2005, o Geógrafo Aziz Ab’Sáber, professor da Universidade de São Paulo debateu sobre o tema “transposição do Rio São Francisco” com um artigo denominado “A quem serve a transposição do São Francisco?, artigo de Aziz Ab’Saber”, no qual posiciona-se contrario à transposição.


É compreensível que em um país de dimensões tão grandiosas, no contexto da tropicalidade, surjam muitas idéias e propostas incompletas para atenuar ou procurar resolver problemas de regiões críticas.

Entretanto, é impossível tolerar propostas demagógicas de pseudotécnicos não preparados para prever os múltiplos impactos sociais, econômicos e ecológicos de projetos teimosamente enfatizados.

Tem faltado a eventuais membros do primeiro escalão dos governos qualquer compromisso com planificação metódica e integrativa, baseada em bons conhecimentos sobre o mundo real de uma sociedade prenhe de desigualdades.

Nesse sentido, bons projetos são todos aqueles que possam atender às expectativas de todas as classes sociais regionais, de modo equilibrado e justo, longe de favorecer apenas alguns especuladores contumazes. Pessoalmente, estou cansado de ouvir propostas ocasionais, mal pensadas, dirigidas a altas lideranças governamentais.

Nas discussões que ora se travam sobre a questão da transposição de águas do São Francisco para o setor norte do Nordeste Seco, existem alguns argumentos tão fantasiosos e mentirosos que merecem ser corrigidos em primeiro lugar.

Referimo-nos ao fato de que a transposição das águas resolveria os grandes problemas sociais existentes na região semi-árida do Brasil. Trata-se de um argumento completamente infeliz lançado por alguém que sabe de antemão que os brasileiros extra-nordestinos desconhecem a realidade dos espaços físicos, sociais, ecológicos e políticos do grande Nordeste do país, onde se encontra a região semi-árida mais povoada do mundo.

O Nordeste Seco, delimitado pelo espaço até onde se estendem as caatingas e os rios intermitentes, sazonários e exoreicos (que chegam ao mar), abrange um espaço fisiográfico socioambiental da ordem de 750.000 quilômetros quadrados, enquanto a área que pretensamente receberá grandes benefícios abrange dois projetos lineares que somam apenas alguns milhares de quilômetros nas bacias do rio Jaguaribe (Ceará) e Piranhas/Açu, no Rio Grande do Norte.

Portanto, dizer que o projeto de transposição de águas do São Francisco para além Araripe vai resolver problemas do espaço total do semi-árido brasileiro não passa de uma distorção falaciosa.

Um problema essencial na discussão das questões envolvidas no projeto de transposição de águas do São Francisco para os rios do Ceará e Rio Grande do Norte diz respeito ao equilíbrio que deveria ser mantido entre as águas que seriam obrigatórias para as importantíssimas hidrelétricas já implantadas no médio/baixo vale do rio -Paulo Afonso, Itaparica, Xingó.

Devendo ser registrado que as barragens ali implantadas são fatos pontuais, mas a energia ali produzida, e transmitida para todo o Nordeste, constitui um tipo de planejamento da mais alta relevância para o espaço total da região.

De forma que o novo projeto não pode, em hipótese alguma, prejudicar o mais antigo, que reconhecidamente é de uma importância areolar. Mas parece que ninguém no Brasil se preocupa em saber nada de planejamentos pontuais, lineares e areolares. Nem tampouco em saber quanto o projeto de interesse macrorregional vai interessar para os projetos lineares em pauta.

Segue-se na ordem dos tratamentos exigidos pela idéia de transpor águas do São Francisco para além Araripe a questão essencial a ser feita para políticos, técnicos acoplados e demagogos: a quem vai servir a transposição das águas? Uma interrogação indispensável em qualquer projeto que envolve grandes recursos, sensibilidade social e honestas aplicações dos métodos disponíveis para previsão de impactos.

Os ‘vazanteiros’ que fazem horticultura no leito dos rios que ‘cortam’ -que perdem fluxo durante o ano- serão os primeiros a ser totalmente prejudicados. Mas os técnicos insensíveis dirão com enfado: ‘A cultura de vazante já era’.

Sem ao menos dar qualquer prioridade para a realocação dos heróis que abastecem as feiras dos sertões. A eles se deve conceder a prioridade maior em relação aos espaços irrigáveis que viessem a ser identificados e implantados.

De imediato, porém, serão os fazendeiros pecuaristas da beira alta e colinas sertanejas que terão água disponível para o gado, nos cinco ou seis meses que os rios da região não correm. É possível termos água disponível para o gado e continuarmos com pouca água para o homem habitante do sertão.

Nesse sentido, os maiores beneficiários serão os proprietários de terra, residentes longe, em apartamentos luxuosos em grandes centros urbanos.

Sobre a viabilidade ambiental pouca coisa se pode adiantar, a não ser a falta de conhecimentos sobre a dinâmica climática e a periodicidade do rio que vai perder água e dos rios intermitentes-sazonários que vão receber filetes das águas transpostas.

Um projeto inteligente e viável sobre transposição de águas, captação e utilização de águas da estação chuvosa e multiplicação de poços ou cisternas tem que envolver obrigatoriamente conhecimento sobre a dinâmica climática regional do Nordeste.

No caso de projetos de transposição de águas, há de ter consciência que o período de maior necessidade será aquele que os rios sertanejos intermitentes perdem correnteza por cinco a sete meses. Trata-se porém do mesmo período que o rio São Francisco torna-se menos volumoso e mais esquálido. Entretanto, é nesta época do ano que haverá maior necessidade de reservas do mesmo para hidrelétricas regionais. Trata-se de um impasse paradoxal, do qual, até agora, não se falou.

Por outro lado, se esta água tiver que ser elevada ao chegar a região final de seu uso, para desde um ponto mais alto descer e promover alguma irrigação por gravidade, o processo todo aumentará ainda mais a demanda regional por energia.

E, ainda noutra direção, como se evitará uma grande evaporação desta água que atravessará o domínio da caatinga, onde o índice de evaporação é o maior de todos? Eis outro ponto obscuro, não tratado pelos arautos da transposição.

A afoiteza com que se está pressionando o governo para se conceder grandes verbas para início das obras de transposição das águas do São Francisco terá conseqüências imediatas para os especuladores de todos os naipes.

Existindo dinheiro - em uma época de escassez generalizada para projetos necessários e de valor certo -, todos julgam que deve ser democrática a oferta de serviços, se possível bem rentosos. Será assim, repetindo fatos do passado, que acontecerá a disputa pelos R$ 2 bilhões pretendidos para o começo das obras.

O risco final é que, atravessando acidentes geográficos consideráveis, como a elevação da escarpa sul da chapada do Araripe -com grande gasto de energia!-, a transposição acabe por significar apenas um canal tímido de água, de duvidosa validade econômica e interesse social, de grande custo, e que acabaria, sobretudo, por movimentar o mercado especulativo, da terra e da política. No fim, tudo apareceria como o movimento geral de transformar todo o espaço em mercadoria.

(Folha de SP, 20/2)